Assentada no alto de uma colina, a Casa de Hóspedes reúne em sua arquitetura elementos da natureza e da paisagem. Cercada de fontes naturais e jardins, seu desenho lembra um pássaro alçando voo, e produz a sensação de estar-se planando sobre o vale.
Resgatando ofícios e habilidades tradicionais da zona rural como o carapina (artesão de madeiras) e o cantareiro (artesão de pedras), a Casa adquiriu uma identidade tradicional e ao mesmo tempo inovadora com uso de muito vidro, telhados de várias águas e formas hexagonais.
O projeto é de autoria de Luiz Midéa, fruto da reverência pelo Vale e da vivência de 10 anos acompanhando a construção em mutirão das casas da Aldeia da Reserva Natural Matutu, onde se pratica uma arquitetura artesanal e paisagística.
A relação com a Natureza
Seus ambientes amplos criam relações com o exterior, tornando-os uma extensão da natureza ao redor.
Em sua concepção foi adotada a lógica do desenvolvimento, ou seja, cada solução foi sendo especialmente encontrada a cada passo e assim o projeto resultou em uma adaptação harmoniosa no relevo e na sua relação com o vento, insolação, paisagismo, valorizando a geomancia sagrada do vale do Matutu.
A Casa respira ao ritmo do dia, abrindo suas portas e janelas para a luminosidade e a brisa diurna e recolhendo-se à penumbra noturna, iluminada docemente pelas velas e aquecida pelo fogo que crepita na lareira e no fogão á lenha.
Sua construção foi feita em grande parte com materiais disponíveis no próprio lugar e o uso das pedras e madeiras propõe um convívio mais próximo com os elementos da natureza.
Histórico
A construção da Casa de Hóspedes guarda parte da história do Patrimônio. Ela está em um local de acesso restrito e para ser levado todo o material, entre idas e vindas, gastou-se aproximadamente 12.000 km no lombo de burro. Foram mais algumas dezenas de viagens puxada por bois. Areia, tijolos, madeiras e todos outros materiais foram todos trazidos assim, dia a dia durante 3 anos seguidos.
O uso das pedras surgiu quando da terraplanagem, executada manualmente. Ao deparar-se com os grandes matacões de pedra no subsolo, foi necessário os serviços de um cantareiro, ou seja, cortador artesanal de pedras, o que propiciou a utilização posterior do material no mesmo lugar, sob a forma de muros e pisos.
A utilização de madeiras foi em sua grande parte reciclagem de postes de eucalipto e cruzetas, mas, em locais específicos, foram utilizadas madeiras de uso tradicional na região, encontradas no próprio terreno.
Iniciada em 2001, a Casa foi inaugurada em em 17 de julho de 2004, recebendo ao longo de sua construção, valiosas contribuições, idéias e sugestões de colaboradores e amigos.
A Casa de Hóspedes conta com um Plano de Controle Ambiental aprovado pelo IBAMA para funcionamento dentro da APA (área de proteção ambiental da Serra da Mantiqueira) e anuência do IEF-MG, por estar no entorno do Parque Estadual da Serra do Papagaio.
Paisagístico: O cuidado de observar a construção de vários ângulos e distâncias, a cada etapa, favoreceu a inserção da mesma na paisagem, minimizando o impacto visual .
Também não utilizamos iluminação elétrica, o que mantém a paisagem noturna preservada de luzes.
Saneamento:Outro cuidado especial refere-se ao sistema de saneamento , totalmente biológico, onde existe um revezamento, de tempos em tempos, das câmaras de contenção dos dejetos sólidos, favorecendo a ação bacteriana, que neutraliza a matéria orgânica.
Águas cinzas: as águas usadas em banhos, pias e cozinha são destinadas a um sumidouro de absorção no solo, sendo o local isolado de qualquer tipo de contato com lençol freático. Estamos nesse momento desenvolvendo um sistema mais eficiente e ecológico utilizando os jardins filtrantes, ou tratamento com plantas.
Campo eletromagnético: a ausência de linhas de transmissão de alta tensão evita alterações no campo eletromagnético, preservando as qualidades sutis originais do lugar.
Acesso: realizado apenas a pé ou em animais de carga, o acesso a hospedagem regula o fluxo e mantém o silêncio e tranquilidade no fundo do vale.